Ivan Jubert Guimarães
15/02/2008
 


Cansado que estou de tanto ler e ver pela televisão tantas guerras, tantos roubos de governantes, tantas atrocidades cometidas contra os mais pobres e tendo até medo de dormir para não sonhar mais com essas coisas absurdas, com o medo de um novo seqüestro, com o medo de agressões gratuitas, com o medo de polícia, com o medo de ladrão, com o medo de doenças, com o medo de minha revolta que me transforma numa pessoa diferente da que sou, eu forcei-me a ter um sonho acordado.

Sonhei que eu tinha me transformado em um pássaro, num pombo correio, mais precisamente, e um belo dia um anjo pegou-me em suas mãos e me disse: “Voa!” E eu passei a voar para todos os cantos do mundo e levava bilhetinhos de amor e de amizade por onde quer que eu voasse.

Não media distâncias e nada me assustava. Águias e gaviões me respeitavam ou respeitavam a minha condição de mensageiro do amor.
Nunca fui atacado e nem mesmo as crianças usavam seus estilingues contra mim. Eu era livre como um pássaro. Aliás, eu era um pássaro e me sentia feliz com aquela condição de poder voar, de ter todo o céu à minha disposição. Eu era feliz porque eu levava felicidade aos outros com as mensagens que eu carregava, na ida e na volta.

Eu não parava de voar, fazia diversas viagens todos os dias e eu só parava quando o sol começa a deitar no horizonte. Nesse instante eu parava de voar, pousava em alguma árvore e dependendo do local onde eu estivesse, pousava nas pedras a beira-mar.
Quando eu voava, eu me sentia rompendo os ventos, quando eu parava nas pedras a beira-mar eu sentia os ventos rompendo minha plumagem, que delícia que era! E era difícil eu dormir, pois não me cansava de olhar para a lua branquinha lá no céu e eu ficava imaginando se ela também voasse que coisa boa seria.

Quando o dia dava seus primeiros sinais de brilho eu despertava e logo seguia meu rumo para levar um papelzinho bem pequeno, mas onde estavam escritas lindas palavras de amor.

Apesar de eu estar sempre encontrando pessoas amáveis e amadas eu mesmo estava sempre sozinho, não que a solidão me afetasse, não, eu sempre gostei daquele gosto de liberdade de poder voar e lá de cima poder ver como o mundo é tão pequeno, mas pena que tão violento. Mas eu me sentia muito bem, pois eu pelo menos levava mensagens de amor às pessoas e devagarzinho eu percebia que elas iam mudando e com isso o mundo também ia mudando, ficando cada vez melhor.

Um dia, o anjo que me incumbira de tal missão voltou a me visitar e disse que eu já poderia descansar e que dali para frente eu poderia voar para onde eu quisesse, pois minha missão estava cumprida. O anjo se foi e eu fiquei me sentindo meio perdido, sem saber o que fazer e, em pleno dia, senti o brilho da lua. Foi quando olhei para o lado e vi uma linda pombinha branca. Nesse instante, finalmente, eu conheci a Paz.

 


Ivan Jubert Guimarães


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