Ivan Jubert Guimarães
06.06.06
 



Tenho muitos advogados na família, muitos deles ainda na ativa. Amigos então, nem se fala! Conhecidos, inúmeros, tem promotores, advogados, juízes e até mesmo um desembargador. Além de esposa e filha, advogadas em pleno exercício de suas funções. E bem sucedidas por sinal.
Mas percebi, pelo texto de ontem, que alguns narizes foram torcidos. Talvez seja pela solidariedade classista. Até entendo que, de repente, algum advogado mais ofendido, possa vir a querer me processar. Não sei se existem bases ou fundamentos legais para isso. Mas assim como os políticos, quando se sentem ofendidos, os advogados também fazem uso dos mesmos recursos, o processo por injúria ou por difamação.


É possível que isso até dê cadeia! Com certeza um pedido de indenização já que sua honra sempre pode ser lavada com dinheiro. Fico pensando se ir para a cadeia por um motivo desses não seria considerada uma honra, já que aqui, do lado de fora, existe muito mais gente desonesta que lá dentro. Inúmeros presos já cumpriram suas penas, mas ainda não tiveram seus alvarás de soltura assinados. Devem estar se perguntando onde estão seus advogados. Parece brincadeira não é? E tem um monte de gente já condenada que está presa em delegacias por falta de vagas nos presídios.


Não devo me sentir mal com essas coisas, pois se elas ainda acontecem é porque precisamos delas para nossa evolução. Sou contra a punição, contra o castigo, contra o isolamento em regimes fechados. Sou contra a pena de morte, embora já tenha tido vontade de esganar um monte de gente. Mas sou favorável que se inicie uma grande obra, uma reforma do homem. Pensem um pouco, não cansa. Pensem em todas as grandes catástrofes, pestes, guerras, ações terroristas, doenças. Tudo de ruim que acontece em nosso planeta é provocado pela ação humana. Mesmo muito dos fenômenos ditos naturais, são apenas uma reação da Natureza contra uma ação mal feita praticada pelo homem. Já ouvi dizer que a Natureza não se defende, ela se vinga.


Minha manifestação de ontem foi muito clara, e a mantenho. Foi uma manifestação contra o desrespeito, contra a astúcia e a leviandade que nosso sistema judiciário permite, com tantos códigos e tantas leis que só mesmo possuem valor pela interpretação e pela ênfase da oratória de convencimento de jurados.


No julgamento de Cristo, não havia um advogado presente. O mais próximo disso foi o próprio Pilatos. Mas o povo escolheu a liberdade para Barrabás, um ladrão. Cristo foi crucificado entre dois ladrões e ainda levou um deles para o reino dos céus junto com ele, pois ele se arrependera do que fizera.


O maior legislador que o mundo conheceu, escreveu apenas Dez Leis que mandou fossem lidas entre o povo e obedecidas. Sabemos o que aconteceu.


Cristo praticamente reduziu todas essas leis a uma só. E também sabemos o que aconteceu. Pensem, mas pensem bastante nisso! O que são todas as leis que estão em nossa Constituição, nos códigos Civil, Criminal, Tributário e sei lá mais o quê. São ou não são adaptações, modernizações, que o homem foi criando para escapar das leis naturais? E quanto mais o tempo passa, mais grossos vão ficando todos os códigos legais, E isso só no Brasil. Cada país tem suas próprias leis. Nós que estamos buscando um mundo melhor, não vamos conseguir enquanto o homem continuar agindo como está. São muitas as fronteiras geográficas que dividem os homens, que os isolam em suas próprias culturas, muitas vezes, estupidamente atrasadas e corrompidas. E é assim que o mundo segue sua trajetória rumo ao seu destino. Depende de cada um; é sabido que não se poderá salvar a todos, mas devemos fazer nossa parte, afinal alguém já disse que muitos serão os chamados, mas poucos serão os escolhidos.
 

 


Ivan Jubert Guimarães


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