Ivan Jubert Guimarães
16/07/2013

 

 

 Muito se tem falado nos últimos dias sobre a importação de médicos estrangeiros para trabalharem no Brasil. O título desse artigo pode parecer pejorativo, mas é intencional.

A classe médica se mostra contrária a essa medida e eu estou de acordo com ela. A mim não importa se serão cubanos, portugueses ou de qualquer outra nacionalidade. Fico imaginando um médico que fale outro idioma explicar para um paciente do interior do Brasil o diagnóstico de sua doença. O grande problema que vejo na importação de gente, está, em primeiro lugar nas multinacionais e nos bancos estrangeiros que operam no país. Salvo raras exceções, a maioria dos altos executivos das multinacionais é oriunda de países como a Alemanha, os Estados Unidos, o Japão, França e outros países.

Poder-se-ia dizer que isso até que é normal, mas a diferença de cultura entre os diversos países é um fato que mereceria do governo uma atenção maior. Como dizia a querida Kate Lyra: “brasileiro é tão bonzinho”, mas a recíproca nunca foi verdadeira. Os portugueses vieram para cá e abriram as padarias, os italianos as cantinas e alemães e outros povos da região se isolaram na região sul. Enfim, todos encontraram trabalho nas terras brasileiras.

Nós também exportamos executivos para outros países, como engenheiros e dentistas, por exemplo. Ambos, entretanto, encontraram dificuldades para conseguir registros de seus diplomas em outros países, isso sem falar na má acolhida desses profissionais. É óbvio que existem muitos trabalhadores na Europa e nos Estados Unidos e Japão. Mas a grande maioria trabalha em profissões que habitantes dos locais não se interessam em trabalhar.

Conheço muita gente que foi morar nos Estados Unidos, mulheres principalmente, que trabalham em limpeza doméstica nos lares americanos. Homens trabalham em lanchonetes, taxis, postos de gasolina e outros serviços de baixa remuneração.

Considerando que o ser humano é um produto vendável, deveria haver um incentivo tanto para a exportação de gente e uma salvaguarda para a importação, já que por estes lados muita gente procura emprego, inclusive eu.

Na Europa a situação não é diferente, franceses e ingleses principalmente são povos preconceituosos ao extremo. Conheci amigos nisseis que foram tentar a sorte no Japão. Trabalharam em restaurantes, em empresas japonesas com filiais no Brasil. Um deles foi contratado para uma função bastante específica, ou seja, limpar a bunda de lutador de sumô. Parece piada, mas não é.

Mulheres são traficadas, assim como crianças, e muitas mulheres tornam-se prostitutas lá fora. Reconheço que algumas delas até sabem o que vai acontecer por lá, mas vão assim mesmo. Políticos e suas mamães indo embora.

Eu daria isenção fiscal de toda natureza se pudéssemos importar políticos, pois os políticos lá de fora são muito melhores do que os que temos por aqui. Em contrapartida exportaríamos os nossos políticos para outros países e com um grande incentivo: para cada um que fosse exportado, o importador levaria de brinde todos os seus assessores. Contando todos os deputados federais e estaduais, senadores, vereadores, governadores, prefeitos, seus vices, os ministros e secretários de todo o país, a dívida interna acaba! Será que ninguém viu isso?

A economia iria crescer bastante com novas idéias vindas de fora e imagino que a corrupção poderia acabar, já que junto com o produto importado viriam as normas vigentes nos países de origem.

O nosso produto exportado teria que se adaptar bastante às normas dos países importadores. Os políticos brasileiros que fossem para países do oriente iriam correr o risco de ficarem todos manetas.

Os contratos de exportação deveriam ter validade de no mínimo trinta anos, assim não correríamos o risco de receber alguém de volta. Em se tratando de gente, não aceitaremos devolução.

Agora, para aqueles que importamos de outros países também não deveremos ser complacentes com seus desvios de caráter, nem de dinheiro público. Uma boa surra em praça pública talvez fosse suficiente no início, afinal são estrangeiros, não são?
 


Adianta falar que eu não tenho preconceito?


Ivan Jubert Guimarães


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