Ivan Jubert Guimarães
02.07.2006
 


Pátria é o lugar aonde a gente vive e não o lugar aonde a gente nasce. E isso deu para sentir no jogo de ontem quando a nossa seleção, mais uma vez, foi eliminada pela França. Não fosse pelas belas jogadas de Zidane, teria sido um jogo horrível de se ver. Mas o resultado era mais do que esperado. Os mais entendidos em futebol previam isso, caso o Brasil continuasse a jogar do jeito que estava jogando. Sem dúvida que temos os melhores jogadores do mundo, mas não temos o melhor time do mundo. Antes da entrada em campo, jogadores perfilados dentro dos vestiários, o que se viu era um bate papo dos brasileiros com os franceses, como se fosse grandes amigos. Os franceses respondiam, mas pareciam estar mais concentrados no jogo.


No intervalo do primeiro tempo, quando Zidane saía de campo, Robinho correu até ele e abraçou-o com ternura exagerada. Talvez se desse um abraço daqueles em um dos companheiros de seleção e não de seu time na Europa, tivesse pelo mudado o ânimo de algum dos jogadores apáticos de nossa seleção. Mas não vamos massacrar nossos jogadores, pois até poucos dias antes do início da copa, todos nós achávamos que tínhamos o melhor time do mundo. Nossos jogadores são astros não só dentro de campo, mas nos comerciais que vemos nas televisões, nas festas da alta sociedade de boa parte do mundo, nos autódromos em dias de corridas, etc. Em diversas decisões desta copa, vi jogadores chorando, deitados no gramado, abraçados pelos companheiros. Os nossos sorriam o tempo todo, mesmo quando erravam chutes a gol ou um passe qualquer. Os closes que as câmeras pegavam mostravam semblantes alienados. Futebol não é guerra, mas lembro de Brito que nunca foi um craque jogar a copa de 70 sem fazer barba para assustar os avantes inimigos. E como afastava. Mas são outros tempos.


O que interessa mesmo é que agora os jogadores de nossa seleção voltarão para suas respectivas pátrias. Alguns já estão em casa, pois moram na Alemanha, outros na França, Espanha, Itália, só dois virão de volta ao Brasil. De 23, só 2 moram aqui. Pode haver ufanismo entre eles? Adiantaria a nossa torcida, se soubesse cantar nosso hino, replicar enquanto os franceses entoavam La Marseillaise das arquibancadas? Talvez alguns se empenhassem mais, mas quando milhares de pessoas entoam "Allons, enfants de la patrie, le jour de gloire est arrivé!" não há adversário que resista.


Particularmente achei que o resultado foi bom. Foi o que de melhor poderia acontecer para o povo. Quem sabe agora, seleção de lado, os olhos se voltem para as maracutaias políticas que assolam o país, que escolher um bom presidente será muito melhor do que ganhar mais uma copa do mundo.
 


Ivan Jubert Guimarães


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