Ivan Jubert Guimarães
18/08/2015

 

 

Tenho lido nos jornais, comentaristas falando que os dizeres da Bandeira Brasileira deveriam ser acrescidos da palavra “Amor”, antes da expressão “Ordem e Progresso”. Sou contrário a isso, não por ter algo contra o amor. Não! Alguém acha realmente que se a palavra “amor” for incluída nos dizeres de nossa bandeira, as pessoas irão parar de matar outras pessoas nas ruas? Nossos governantes vão parar de roubar? Não haverá mais traições de todas as espécies?
Só aqui nestas poucas linhas escritas até agora, foi falado de três dos dez mandamentos da lei de Deus.


E por falar em Deus, alguém se lembra de quando José Sarney mandou incluir a frase “Nós cremos em Deus” no objeto mais cobiçado de todos, que é o dinheiro? Adiantou? Os roubos eram tão grandes, como ainda acontecem hoje, que a fé se esmaeceu e a frase foi tirada das notas de nossa moeda. Como roubar algo se nele está escrito que acreditamos em Deus?


Outro jornalista, do mesmo jornal A Folha de São Paulo, procura decifrar o porquê de o ódio deixar de ser um ódio fofo e se tornar um ódio não fofo. Meu caro, amor é amor e ódio é ódio. Falar de direita e esquerda como se fossem estúpidos e seguem o que as redes sociais propagam é leviano.
Em plena vigência do AI 5, eu e mais alguns colegas do colegial fazíamos nossas reuniões e nos manifestávamos até onde podíamos contra a ditadura militar. Perguntado pelo dono da lanchonete que frequentávamos se éramos comunistas, um de meus amigos respondeu por todos nós: “Para mim não importa o regime de governo, desde que eu tenha condições de viver com dignidade!”. Um linda frase que deveria nortear cada cidadão que defende posições de líderes sem liderança e sem o caráter que arregimenta seguidores.


Naquele época eu fui a favor da luta armada, coisas da juventude estudantil. Penso muito diferente hoje apesar de ainda estar nos anos sessenta. Antes eram os anos 60 e hoje são os meus sessenta e poucos anos. Quase nada mudou, a não ser minha idade, e já se passaram cinquenta anos. E lá estamos nós, de novo nas ruas, convocados pela mídia e pelas redes sociais, pais levando seus filhos e madames com seus cachorros de estimação, gritando palavras de ordem proferida por um cidadão qualquer em cima de um caminhão de som. É fácil comandar a massa. É fácil estimular o ódio aos manifestantes. Duvido que alguém estivesse nas manifestações apenas por amor. Cartazes pediam o impedimento da presidente, prisão para os corruptos; alguns portavam até miniaturas de caixão de defunto.


Ordem significa respeito às leis e instituições; boa administração, disciplina e subordinação às hierarquias. Progresso significa avanço e evolução.


Com relação a intolerância que predomina na maior parte da população, ela é propagada pelos desmandos, pela falta de impunidade, pela corrupção dos políticos e, por isso, nos tornamos violentos no trânsito pois estamos sempre nos desviando de buracos em nossas avenidas. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito colocou uma meta para tornar a cidade a Meca dos ciclistas e onde quer que você ande, tem espaço para o ciclista, alguns deles em plenas calçadas. O povo? O povo que ande na rua, a menos que compre uma bicicleta. Na Rua Martiniano de Carvalho, na Bela Vista e que leva ao Paraíso, o prefeito mandou construir uma ciclovia em rua de acentuado aclive. Passei por lá e está tudo destruído, por obras creio que da Eletropaulo. A ciclovia não existe mais (ainda bem), mas quem paga o prejuízo? Amor, Ordem e Progresso?


Em manifestações passadas o governo se referiu aos manifestantes como sendo um bando de gatos pingados. Isto é respeitar a democracia? Senhora presidente, é muito melhor fazer parte de um bando de gatos pingados do que de um bando de gatunos!

 

 

Ivan Jubert Guimarães

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