Ivan Jubert Guimaraães
01/07/2013
 
 

           Imagine que você more em um estado onde o governador não demonstra a menor autoridade administrativa e só faça discursos se utilizando de dados falsos e de demagogia.

 

 

            Imagine também que esse estado faz parte de uma União de outros Estados que não possuem a mesma estrutura do estado onde você mora. Apesar de ser governado por um inoperante, seu estado é o mais representativo do país.

           

 

            Imagine agora que o estado onde você mora esteja falido, imagine que o estado mais rico do país não tem dinheiro para realizar as obras que são necessárias para movimentar a economia da nação.

 

 

            Imagine que seu país é um gigante que adormeceu, ou melhor, que nunca acordou desde o seu descobrimento. Há muitos recantos nesse país que nada produzem, nem para seu próprio consumo, quanto mais para exportar para outros estados.

 

 

            Imagine que em seu país, ainda no século XIX, um homem construiu a primeira estrada de ferro unindo algumas cidades e que ele também fundou uma companhia de navegação a vapor para transporte por um dos maiores rios do planeta.

 

 

            Imagine que anos depois um presidente todo sorridente resolva mudar a capital de seu país para uma região onde não havia estradas de ferro, rodovias e nem rios. Parece loucura, não parece? Mas é só imaginação.

 

 

            Imagine mais um pouco: a capital que estava sendo construída precisava de materiais de construção que iam para lá de outros estados e, como era uma região quase deserta, precisava também de muita mão-de-obra. Como levar tudo isso para lá, sem falar nos alimentos e na água? A solução encontrada foi abrir estradas, mas havia um grande problema: o país não produzia automóveis e nem caminhões.

 

 

            Imagine agora que o presidente sorridente resolveu construir estradas e, para isso, fez acordos com montadoras de veículos e o país, então, abandonou as estradas de ferro existentes e nunca mais se preocupou com este tipo de transporte barato e eficiente, já que um trem com muitos vagões transporta muito mais carga do que alguns caminhões.

 

 

            Imagine, também, que os rios de seu país fossem navegáveis. O transporte fluvial é também bem mais econômico do que o transporte rodoviário, mas o seu país tinha compromissos com poderosos governos estrangeiros e era melhor abrir estradas, algumas delas que levavam para lugar nenhum.

 

 

            Mas voltando ao seu estado, aquele do qual falei no início, imagine se um dia, os caminhoneiros que hoje são os transportadores das riquezas do país, resolvessem bloquear as estradas, e eles têm motivos para isso, pois aquele governador idiota aumentou as tarifas de pedágio para o transporte rodoviário e ainda tenta enganar os motoristas autônomos alegando que são as empresas transportadoras que iniciaram o bloqueio das estradas. Isto pode ser verdade sim, não nego, mas eles têm razão. Não quero entrar no mérito de que o caminhão transporta carga ou não, pois muitas vezes o retorno é vazio.

 

 

            Se os caminhoneiros quiserem, o poder está nas mãos deles. O estado do qual falei no início, se for bloqueado em suas principais rodovias que circundam a capital, poderá provocar uma crise sem precedentes na economia de todo o país.

 

 

            Novamente eu peço que imagine centenas ou milhares de caminhões bloqueando as principais rodovias de seu pais, principalmente as de seu estado que, repito, é o maior centro produtor de riquezas da nação.  Ninguém sai e ninguém entra na cidade. Os abastecimentos de produtos agrícolas e pecuários param de chegar aos centros abastecedores. Peixes vão se estragar dentro dos caminhões, o mesmo acontece com verduras, legumes, frutas e verduras.

 

 

            Imagine que as grandes redes de supermercados parem de receber esses tipos de produtos e que também comecem rarear produtos domésticos e de outros tipos que diariamente chegam à sua cidade e ao seu estado, como remédios, roupas, etc.

 

 

            Imagine que o movimento vá se alastrando pelo resto do país, com caminhões parando sempre próximos às cidades e nestas, os ônibus deixando de circular em plenas ruas e avenidas.

 

 

            Acham que precisa muito tempo? Talvez três dias sem alimentos frescos provoquem uma revolução intestina na sua nação e no seu estado. O país começará a sentir fome e irá prevalecer o poder econômico. Quem tiver mais dinheiro ainda conseguirá comer, mas e o resto?

 

                           

 
                                  Ainda bem que isso é apenas um exercício de imaginação.
 
 
     Finalmente, imagine se tudo fosse verdade!
 
 
 
Ivan Jubert Guimarães
 
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