Ivan Jubert Guimarães
17/10/2013

 

 


Um país que ao nascer foi colônia portuguesa, ainda jovem tornou-se um império, tivemos rei e príncipes. A corte promovia festas luxuosas na cidade do Rio de Janeiro. Havia políticos, mas o mando sempre foi do rei e mais tarde do príncipe regente.
A corrupção é coisa antiga no Brasil e se já não bastasse os desmandos do sistema de capitanias hereditárias, com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, o próprio rei Dom João VI tornou-se um dos grandes corruptos, talvez um dos mais estúpidos, pois como rei roubava de si mesmo. 


Veio a fase da república que colocou o país regendo seu próprio destino e, desde então, nunca tivemos um governo decente e honesto.


Veio o Estado Novo de Vargas com uma ditadura que durou oito anos e que colocou o Brasil na Segunda Guerra Mundial, graças a artifícios políticos já que Vargas foi um simpatizante nazista.
Logo após o final da guerra, o hoje idolatrado Vargas proporcionou ao país o primeiro grande negócio com os americanos. Credor dos Estados Unidos pela participação na guerra, Vargas importou dos americanos, anáguas femininas, nylon e outros tecidos que vestiram as famílias brasileiras por décadas. Nenhum trator ou maquinário foi importado.


Poucos anos depois Vargas foi eleito presidente, para ver que brasileiro nunca soube votar. Não aguentou o rojão e "assassinou-se".


Veio a promessa de construir um país fazendo modernizações que levariam 50 anos em apenas 5 anos. Mudou-se a capital para Brasília, no planalto central e começou-se a abrir estradas pelo país inteiro, pois era interesse americano e europeu instalar-se aqui para produzir automóveis. Hoje temos mais automóveis do que estradas em condições de rodagem.


Daí em diante as coisas só pioraram. Tivemos um presidente que condecorava guerrilheiros de Cuba, antidemocratas, e voltados para o comunismo. Deu um blefe na junta militar e, para seu espanto, sua renúncia foi aceita.


Veio o golpe de 1964 e os militares tomaram o poder. Os mais velhos até que gostaram porque o Brasil já havia sido governado por militares, antes de Vargas. Aliás, a própria proclamação da república foi feita por um marechal que se tornou o primeiro presidente do país, seguido por Floriano Peixoto, outro militar e mais alguns ligados ao Exército brasileiro depois dele.
Voltou-se a eleger um governo civil, mas o presidente que governou teve grande participação no período da ditadura militar.


Quando voltaram as eleições diretas o povo ainda não tinha aprendido a votar e justificava os 20 anos de ditadura. Pura balela. Escolheu-se um caçador de marajás que foi deposto pouco tempo depois.


Veio um governo mais sério que colocou fim na inflação galopante. Mas o povo, sempre ele, preferiu uma troca por um falso líder sindical, traidor da classe operária brasileira e que era um sindicalista apoiado pelas montadoras de veículos e também pelo próprio governo militar, mais propriamente pelo general que mandava no país, Golbery.


Este sindicalista formou a maior quadrilha de assaltantes e assassinos de que se tem notícia desde que Cabral aqui chegou. São tantos que se todos fossem presos não haveria prisão suficiente para guarda-los. Voltamos ao antigo sistema de capitanias hereditárias apesar de cada governo não passar de pai para filho, embora todos pareçam filhos da outra.
Eu não gostaria de ser presidente deste país, mas adoraria ser o rei desta nação e fazer do Brasil um verdadeiro reino de decência e moralidade.


Como um rei não precisa de deputados nem de senadores eu iria decretar uma temporada de caça a todos eles, colocando cães para afugentá-los para bem longe desta terra.
Eu mudaria a Bandeira Nacional tirando a frase Ordem e Progresso e mantendo apenas a palavra Ordem. Afinal, com Ordem o progresso vem sozinho.


Providenciaria a evacuação da capital atual, já que o vírus da corrupção já atingiu a todos. Faria de lá um grande presídio e quem sabe um museu da corrupção.
Os Estados seriam governados por condados, mas não haveria título de nobreza para ninguém. Os municípios seriam comandados por um sistema de cooperativa formado por homens o povo. Nas grandes cidades, esse sistema seria adotado nos bairros e só poderia ser comandado por gente do próprio bairro.


As eleições ficariam banidas e todo e qualquer tipo de greve seria considerado crime contra o reino.
Os impostos ficariam dentro de cada condado que faria a distribuição da renda dentro das cooperativas municipais e nos bairros das grandes cidades.
O rei não precisaria de nada, pois como único chefe de governo, não teria sede e nem mordomias, assessores ou ministros. Cada condado seria capaz de governar sua região. Eu como rei iria apenas passear. Iria a cada condado e a cada município. Seria mais um fiscal do que monarca.
Os crimes, se houvesse, seriam punidos de forma exemplar em praça pública e se algum governante de qualquer área fosse apanhado corrompendo ou sendo corrompida, a pena seria o apedrejamento.
Os descontentes seriam banidos do país. Teriam a liberdade de escolha entre Cuba, Irã, Síria e outras regiões do Oriente Médio e da África.


Terrível não é? Mas alguém nunca sentiu vontade de fazer isso? Às vezes tenho vontade de jogar pedras em minha televisão, tamanha é a quantidade de crimes violentos que acontecem diariamente, tamanha é a corrupção de políticos, de grandes empresários, e de toda a pouca vergonha dos homens no trato da saúde e da educação.


E, no entanto, apesar de tudo isso iremos realizar uma Copa do Mundo e também os Jogos Olímpicos e os orçamentos já estouraram há muito tempo e o povo está ansioso para ver o início dos jogos. Pelos preços que já estão sendo divulgados, o brasileiro comum não poderá ver nenhuma partida ao vivo.


Não sou monarquista não, eu poderia ser um ditador moderno, um faxineiro de luxo que após jogar o lixo fora promoveria uma eleição como nunca se viu neste país, sem urnas eletrônicas, mas por aclamação popular.


Enquanto rei eu seria sua majestade. E sua. E sua também!
 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

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