Ivan Jubert Guimarães
14.02.98
 


A posse é sempre uma ilusão, pois que é efêmera. Ninguém é dono de nada.
As propriedades não existem e, quando deixamos esta vida, vamos absolutamente sós para o outro lado.
Nada de valor vai em nosso caixão a não ser o nosso corpo. As jóias que eventualmente alguém carrega na morte, são levadas pelos próprios coveiros. Só nossa alma é que se desprende do corpo e segue para o outro lado. E, às vezes, nem isso acontece, de tão apegadas à matéria são algumas pessoas.
Da mesma forma, isto vale para os sentimentos. Ninguém é dono de ninguém. Aliás, a liberdade de expressão, de locomoção, de comunicação, são as maiores riquezas que alguém pode ter. Privar alguém dessa liberdade é como prender um animal numa correia e ainda castigá-lo quando tenta escapar.
Exclusividade é a mais pura demonstração do egoísmo e da infelicidade.
O mundo é grande o suficiente para que todos se encontrem e se falem, e brinquem e amem. Quando nos isolamos do mundo, estamos fechando todas as portas de nosso aprendizado. Isolar-se, esconder-se, é uma manifestação que fere as leis de nossa natureza. O homem vive para construir em grupo. Quando só, ele nada faz, pois não terá ninguém para usufruir sua criação.
Querer que o outro esteja sempre à nossa disposição é tolher seus movimentos e impedir sua evolução como pessoa. São as experiências adquiridas que elevam nosso conhecimento. Este sim, é o único bem que conseguimos levar para o outro lado da vida.
 


Ivan Jubert Guimarães


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