Ivan Jubert Guimarães
 


Passava das sete horas da noite quando Elisabete voltava do toalete para sua mesa de trabalho. Todos os demais funcionários já haviam saído. Ela, como sempre, era a última a fazê-lo. Pelo menos era essa a rotina dos seus últimos cinco anos na empresa. Ela tinha uma aparência séria para os seus 33 anos, mas já tinha sido uma mulher bem alegre cinco anos atrás, quando seu noivado havia sido interrompido pelo desaparecimento de seu noivo, no que se supõe tenha sido um acidente.
Quando se aproximava de sua mesa, ela notou que alguém parecia estar esperando por ela. Olhou para os lados, e de fato constatou que todos seus colegas já haviam saído. Meio intrigada, sobre quem poderia ser aquele homem de costas para ela, aproximou-se dizendo:
- Em que posso ajudá-lo senhor... - sua voz calou-se quando ele se levantou virando-se para ela.
- Assustei você? - perguntou ele.
- Se me assustou? Eu pensei que você estivesse morto e você me pergunta se eu me assustei? Por onde andou nos últimos cinco anos?
- Calma, sente-se, precisamos conversar e depois eu lhe explico tudo.
- Não, primeiro eu quero saber o que aconteceu e por onde você andou e o que está fazendo aqui neste horário.
- Não há tempo para explicações agora, creia em mim, como nos velhos tempos.
- Acontece que nos velhos tempos você sumiu sem dizer nada, e agora quer que eu acredite em você?
- Eu não sumi simplesmente, eu...
- Pare, por favor.
- Lisa - era assim que ele a chamava - venha comigo, precisamos sair daqui agora, temos que ir a um lugar.
- Você quer me dizer o que está acontecendo ou não?
- Acredite, eu não posso falar aqui, pois você não iria acreditar em nada do que eu dissesse. Você tem que ver com seus próprios olhos.
- Primeiro você tem que me dizer como entrou aqui no laboratório.
- Eu já conhecia o caminho, Lisa.
Elisabete era agora a chefe do laboratório de desenvolvimento de uma indústria farmacêutica que há anos vinha pesquisando um novo tipo de medicamento que pudesse acabar com o vírus do HIV e impedir sua transmutação e fortalecimento. Eram anos de estudo e de investimento e o medicamento já havia sido testado em cobaias com excelentes resultados. Os primeiros testes realizados com humanos também vinham dando excelentes resultados. O Brasil, desde o princípio vinha se destacando no controle da doença e o mundo todo tinha seus olhos voltados para cá.
- As senhas para entrar aqui são mudadas todas as semanas, não se lembra disso?
- Eu não preciso mais de senhas Lisa. E agora, vamos sair daqui, quero levá-la até um lugar onde possamos conversar e eu possa mostrar algo que vai deixar você espantada.
- Como não precisa mais de senha? Tudo bem, não precisa responder. Aonde é que nós vamos?
- Eu vou mostrar o caminho, mas a partir de agora fique quieta e não converse comigo, caso contrário vão pensar que você está falando sozinha.
- O que? - indagou raivosa.
- Fique quieta eu disse.
Elisabete passou pela porta de segurança usando seu crachá e quando ia olhar para trás para ver como Paulo sairia de lá, ele já estava ao lado dela.
Paulo, desaparecido há cinco anos. Estavam noivos e iam se casar em breve. Trabalhavam juntos e Paulo fora quem iniciara a pesquisa da qual Lisa era agora a encarregada. Lisa olhava para ele com certa perplexidade, ele parecia não ter envelhecido neste período, enquanto ela, agora, parecia ter a mesma idade que ele.
No saguão de entrada do prédio, havia dois seguranças e dois faxineiros faziam o trabalho de limpeza.
Um dos seguranças disse: - Boa noite Dra. Elisabete.
Ela apenas acenou para ele com um sorriso. Ficou matutando o porquê do segurança não ter se despedido de Paulo, já que ele era um dos mais antigos guardas do prédio e deveria ter-se lembrado dele.
No pátio do estacionamento, Paulo falou:
- Vamos até seu carro e continue andando como se eu não estivesse aqui.
Ela abriu a porta e deu uma pequena olhada para trás para ver se os guardas estavam olhando para eles e quando se deu conta Paulo já havia entrado e se sentado ao lado do banco do motorista.


***


- Você pode me dizer agora onde estamos indo e o que está acontecendo? Mas antes quero que me diga o porquê de ter sumido desse jeito.
- Está bem, eu vou lhe contar parte do que perguntou, não posso falar tudo agora. Antes que tudo isso se acabe você terá conhecimento de tudo. Por enquanto apenas creia em mim.
Lisa olhou para ele, mas sem desviar muito a atenção da avenida em que estavam. Ele continuava sendo um homem bonito e só agora ela percebeu que ele não usava mais óculos; estaria usando lentes de contato?
- Escute Lisa, eu estou precisando de ajuda, de muita ajuda. E eu acho que só você pode me ajudar. Na verdade sua ajuda é para todo o planeta e não para mim. Eu estou encarregado de salvar o planeta junto com você.
Elisabete freou o carro no acostamento e ainda com as duas mãos no volante não conteve o grito:
- Porra Paulo de que merda você está falando?
- Eu avisei que você não acreditaria antes que visse! Tenha paciência e confie em mim. E parece que o tempo não lhe ensinou ainda boas maneiras de falar mocinha.
- Você se lembra de quando eu saí em viagem? Lembra-se do que eu ia fazer?
- E como eu poderia esquecer? Era para eu ter ido junto com você e na última hora você partiu sem mim!
- Foi preciso, somente nós dois conhecíamos a fundo os detalhes do projeto em que estávamos trabalhando. Fui aconselhado a viajar sozinho para que, se algo acontecesse você continuaria a pesquisa.
- E aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu o acidente que impediu que eu chegasse ao meu destino.
- Mas agora você está aqui e me parece muito bem.
- Não Lisa, eu não estou aqui.
- Que conversa mais besta é essa Paulo?
- Olha para mim atentamente. O que você está vendo é minha forma pensamento. Não reparou que ainda não nos tocamos? E que os guardas lá do laboratório nem sentiram minha presença?
Elisabete esticou seus braços em direção a Paulo e ficou espantada, seus braços nada encontraram a não ser o encosto do banco. Entre pálida e angustiada ela se afastou depressa, saindo do carro e andando pelo acostamento.
Uma viatura da polícia, que passava pelo local, vendo-a cambaleante pelo acostamento parou ao lado dela e um policial perguntou:
- Está tudo bem moça? Está se sentindo mal?
Ela olhou para ele, sem nada responder, apenas acenando com a cabeça e elevando a mão direita para dizer que estava tudo bem. Finalmente disse:
- Foi só um mal estar seu guarda. Já estou melhor, obrigada.
Os policiais esperaram que ela voltasse para o carro para irem embora. Ela engatou a marcha e pegou novamente a avenida, mas sem saber aonde ir.
Paulo olhava para ela com ar carinhoso e tentava passar-lhe uma energia que pudesse acalmá-la. Aos poucos a fisionomia dela foi-se modificando e ela foi se acalmando sentindo uma doce sensação de paz. Diminuiu a marcha do carro e passou a dirigir com mais segurança.
- Me diz uma coisa - pediu ela - o que está acontecendo aqui?
- Por enquanto nada, mas algo de muito grave está para acontecer se não fizermos algo e depressa.
- Deus do céu! De que você está falando? Você está aqui, eu posso vê-lo, mas não posso tocá-lo, Você está morto Paulo e é seu espírito que está aqui?
Paulo, rindo dela, perguntou: - e desde quando você tem medo de fantasmas?
Ela estava para explodir novamente, mas Paulo levantou seu braço esquerdo e esticando sua mão aberta sobre sua cabeça, tornou a passar-lhe energia. Elisabete finalmente se acalmou e disse: - é bom ver você de novo!
- Eu nunca deixei de vê-la Lisa! Tenho acompanhado muitos de seus movimentos, principalmente no trabalho, intuindo você e sua equipe.
- Nunca encontraram seu corpo Paulo e agora você me aparece aqui como um espírito, com roupas modernas e ainda parecendo ter a mesma idade de quando desapareceu.
- Eu não morri naquele acidente Lisa.
- Como assim não morreu? ? Então porque não posso tocar em você?
- Se você se acalmar e ouvir o que tenho para lhe dizer como cientista que é talvez você entenda mais rapidamente o que eu tenho para lhe dizer.
- Sou toda ouvidos, comece sua história.
- Façamos o seguinte, vamos parar em uma lanchonete, você deve estar com fome e além do mais é mais seguro para você.
Lisa continuou dirigindo até uma dessas lanchonetes com atendimento no carro, pediu 2 lanches e dois sucos e duas porções de batatas fritas. A atendente olhou-a estranhamente, pois como uma moça daquelas, de boa aparência e magra, seria capaz de comer tudo aquilo sozinha, afinal ela não podia ver Paulo a seu lado. Lisa ia passar a bandeja para Paulo quando começou a rir: Espíritos comem, não comem?
- Não esse tipo de comida que, aliás, você também deveria deixar de comer. Mas como eu disse antes, eu não morri naquele acidente.
- Então me conte o que aconteceu - e deu uma boa mordida em seu sanduíche.
- Tudo começou quando realizamos os primeiros testes nas cobaias e conseguimos fazer com que o vírus regredisse. A partir daí, já podíamos ter a certeza de que funcionaria nos humanos e teríamos descoberto a cura para essa doença que já matou milhões de pessoas e existem ainda outros milhões infectadas. Essas notícias correm nos meios acadêmicos, como você deve saber,
Lisa ouvia atentamente enquanto mastigava suas batatas juntos com o sanduíche.
- Entretanto outros laboratórios que descobriram o que estávamos fazendo e que estávamos ganhando a corrida entraram em pânico, pois também já haviam investido muito dinheiro nessa pesquisa. E tinham que impedir que eu chegasse ao Ministério da Saúde. Não se esqueça que a maioria desses laboratórios são de empresas multinacionais.
Lisa olhou para ele e pediu: - Continue.
- Pois bem, na hora do embarque no jatinho que nos levaria à Brasília, aconteceu um fato curioso. O piloto recebeu um comunicado da torre para voltar ao hangar, pois haviam detectado um ruído estranho na aeronave. Mas isso foi só um ardil. Assim que entrou com o avião no hangar, ele foi rendido e jogado no porta malas de um carro que saiu do aeroporto não se sabe para onde.
- E ninguém viu isso acontecer? O movimento é sempre muito grande nos aeroportos.
- Ninguém viu, de tão rápido que foi.
Lisa havia terminado seu sanduíche e olhava para o lanche intacto de Paulo.
E Paulo continuou:
- Bem, dali a poucos minutos o avião voltava a taxiar até o local onde eu embarcaria. E foi o que fiz e, em poucos instantes, estávamos voando em direção à Brasília, onde eu teria uma reunião com o ministro para conseguir mais verbas para finalizarmos o projeto. O ministro havia pedido uma demonstração e esse foi o motivo de eu ir para lá.
- E porque na última hora eu não pude viajar?
- O Dr. Barros, nosso diretor na época, achou por bem que se algo viesse a ocorrer ele perderia as duas únicas pessoas que estavam 100% familiarizadas com o projeto e, por isso, armou uma artimanha para segurá-la por lá. E diante dos argumentos dele e considerando o imponderável, eu concordei com ele.
- Você podia ter me explicado isso e eu não teria ficado tão zangada naquela tarde.
- Após uns 40 minutos de vôo, recebemos uma mensagem em viva voz dentro do avião de alguém que não quis se identificar, dizendo que a maleta do piloto estava carregada de explosivo plástico e o que avião explodiria em menos de um minuto. E aí a voz dirigiu-se diretamente a mim dizendo: - Sinto muito Paulo que tenha que ser assim, mas eles querem que seja feito. Foi nesse instante que eu reconheci a voz do Dr. Barros.
- O Dr. Barros, você ficou louco? Ele é o dono do laboratório, seria a glória para ele.
- Dinheiro e poder valem mais do que a glória!
- Você não pensa assim.
- Eu não e você sabe disso. Mas existe muita gente graúda e muita gente que tem um poder incalculável nas mãos Você nem pode imaginar. No mundo inteiro existem forças do mal que desejam ver a destruição do planeta. Eles ocupam postos chaves em diversos governos.
- Mas isso foi sempre assim Paulo, desde que o mundo é mundo.
- Não minha querida, não foi sempre assim! É complicado explicar o inexplicável, sem ter provas concretas para mostrar a verdade.
- Você é uma prova concreta e está aqui do meu lado.
- Não, só você pode me ver. Quem a vir falando vai pensar que está falando sozinha.
- E porque só eu posso vê-lo?
- Porque foi assim que foi programado por eles.
- Eles quem Paulo? Eles quem?
- Deixe-me continuar, logo que a gravação acabou o piloto teve um colapso cardíaco e morreu. Foi então que aconteceu: uma luz branca, muito forte envolveu todo o avião. Pensei que tivesse sido a explosão, mas eu não tinha ouvido nenhum ruído, nenhum estrondo. A luz envolveu tudo e em questão de poucos segundos eu fui tragado para fora do avião e quando dei por mim estava dentro de uma outra nave.
- Você está me dizendo que foi abduzido por uma nave espacial?
- Pois saiba que foi isso mesmo o que aconteceu.
- Isso está me parecendo uma coisa maluca demais para que eu acredite Paulo.
- Então veja! O avião foi encontrado e o corpo do piloto também. A pasta com a bomba não foi achada porque os seres intergalácticos a destruíram. Meu corpo foi procurado e nunca foi encontrado também. Você está me vendo aqui e sabe que isso que vê sou eu.
- Isso é tão fantástico!
- E tem mais coisas ainda que você precisa saber: nós sempre ouvimos dizer sobre o Apocalipse, o dia do juízo final, o dia do final do mundo, não ouvimos?
As casas esotéricas, os centros espíritas, os filósofos, os místicos, todos dizem que o final da Terra está se aproximando. E é a mais absoluta verdade. Só que não é assim que tem que acontecer, para que todo o equilíbrio do Universo não sofra com isso. O processo de destruição do planeta está em pleno desenvolvimento. O homem, no mundo inteiro, tem contribuído para que isso ocorra. Criando doenças, como essa que achamos a cura, mas que eles não desejam que seja produzido. Milhões de pessoas no mundo inteiro deixariam de consumir o que eles querem que se consuma. Já pensou se ninguém mais comprar esses coquetéis anti-AIDs ou remédios para curar o câncer? Já existe a cura para muitas doenças que hoje matam as pessoas.
- Eu não posso acreditar que o homem aja dessa maneira, eles também têm suas famílias.
- Não Lisa, eles não são homens como você imagina. Eles também são seres intergalácticos, só que agem do lado do mal. Eles habitam a Terra desde meninos com a única função de criar um desequilíbrio universal.
- Mas com qual finalidade Paulo? Para quê? Dinheiro?
- Não, eles não ligam para o dinheiro, mas eles sabem que os terráqueos fazem qualquer coisa por ele, de tão apegados que estão às coisas materiais. Eles usam estas pessoas, dando-lhes poder e dinheiro. Existem políticos, presidentes de países, donos de indústrias, militares, todos seres intergalácticos que estão promovendo a destruição do planeta.
- E eles também morrerão Paulo!
- Não e é aí que você se engana. Eles estão agora, nesse exato momento, criando condições para uma terceira guerra mundial que, com o uso de armas nucleares, irá acabar com a vida na Terra. Antes que isso ocorra, eles serão levados de volta às naves que os trouxeram aqui.
- Isso me parece fantasioso demais Paulo. É difícil acreditar que seja verdade.
- Vamos sair daqui e ir para sua casa onde terminaremos essa conversa.
Elisabete deu a partida e, em poucos minutos, estava de volta à avenida e tomou o caminho para sua casa.


***


Aquele apartamento trouxe lembranças a Paulo, o sofá não era mais o mesmo, mas alguns objetos estavam no mesmo lugar de antes. Ele deu uma rápida passada de olhos por tudo e dirigiu-se ao quarto. Lá estava tudo igual como antes, a mesma cama, a cômoda, os perfumes. Sentiu um pouco de nostalgia e a vontade de tomar Lisa em seus braços como fazia antigamente e jogá-la na cama, a mesma cama onde tiveram muitos momentos de amor. Lisa estava bonita como sempre fora e ele sabia que ela estava sentindo a mesma coisa. Mas tinham que trabalhar depressa, não havia tempo para mais nada agora.
- Eu fiz algumas mudanças no apartamento, troquei alguns móveis, mas deixei o quarto do jeito que estava.
- É, eu percebi. Foram bons tempos! Vejo que guardou muitos objetos daquela época.
- Existem coisas das quais é difícil se livrar.
- Um dia você vai descobrir que tudo isso é bobagem. Matéria, não serve para nada, apenas para aumentar nossa cobiça e nosso egoísmo.
- Você não falava assim antes.
- E que estudei muitas coisas nos últimos cinco anos.
- Bom, e o que nós temos que fazer agora, se é que exista alguma coisa que a gente possa fazer.
- Deixe-me explicar uma coisa: da mesma forma que existem essas forças do mal agindo sobre o planeta, existem, também, as forças do bem. Todas aquelas histórias que você já ouviu sobre discos voadores são verdadeiras. Somos visitados por muitos deles. Eles são como vigilantes do espaço, percorrem diversos planetas em diversas galáxias vigiando os habitantes desses planetas e cuidando para eles conservarem seu habitat. São seres muito mais evoluídos do que nós aqui da Terra. Eles vêm de diversos outros planetas, alguns do próprio sistema Solar e outros de galáxias muito distantes.
Nosso planeta tem sofrido muito com as experiências atômicas das grandes potências, com o desmatamento que o homem está praticando no mundo todo, principalmente aqui no Brasil, a exploração de minérios de toda espécie tem contaminado o solo e a água, sendo que esta está ficando escassa em muitas regiões do planeta e logo o homem vai guerrear para ter água para beber.
- Isso é assustador, mas ainda não estou vendo o que se pode fazer e não entendo porque eu estou sendo escolhida.
- No mundo inteiro, existem milhares de pessoas que são mais evoluídas do que outras, mais desapegadas às coisas materiais, pessoas preocupadas em ajudar aos outros, verdadeiros altruístas. Essas pessoas foram escolhidas para ajudar os seres intergalácticos a salvar o planeta. São pessoas com conhecimento filosófico, pessoas que praticam o bem, pessoas que têm respeito pelo que fazem e para com os outros. São essas as pessoas que vão salvar o planeta para que a renovação da Terra seja feita pelos meios naturais e não com a aniquilação da humanidade.
- E quem mais está aqui conosco?
- Bem, aqui no Brasil, só nós dois, por enquanto.
- E o que acha que devemos fazer?
- Veja, logo após minha suposta morte, o Dr. Barros sofreu um infarto e morreu, lembra-se disso?
- Nunca poderia esquecer disso, trabalhávamos juntos!
- Pois então, a morte dele foi provocada pois acharam que não iriam mais precisar dele, pois o que eles queriam eu carregava na pasta no avião. Só que meu corpo nunca foi achado e eles procuram por mim desde então. O Dr. Barros, antes de me mandar para a morte, ficou com a cópia de nossa fórmula.
- E daí? O que pode uma fórmula daquelas fazer para salvar o planeta? Ela pode curar a AIDS.
- Não, ela é muito mais valiosa do que isso. Nós descobrimos não a cura da AIDS, mas a cura de quase todas as doenças que nós conhecemos. A fórmula que criamos, ela age como um inibidor ao desenvolvimento do vírus e impede que ele se transforme, que se fortaleça. Da mesma forma que ele age com o vírus, ele também age contra a radiação provocada pelo plutônio, pelo urânio e por todos os outros minerais que estão destruindo a superfície da Terra. O lixo nuclear vai matando o solo e ali não nasce mais nada. Ao penetrar na terra com o tempo ele vai-se afundando até encontrar os lençóis de água onde aumenta o estrago. Milhões de pessoas vão morrer em poucos dias vítimas da radiação, outras de fome e outras de sede. Uma guerra de grandes proporções eclodirá em todo o planeta em busca de água e de alimentos. As bombas nucleares que já maltrataram tanto o planeta irão abalar ainda mais o seu eixo, fazendo a Terra virar de uma forma violenta. Isso já vem acontecendo lentamente, com o aquecimento do planeta, mas imagine um forte abalo provocado por milhares de megaton. A Terra se inclinará, derretendo as geleiras dos pólos e inundando as áreas litorâneas. Terremotos se sucederão em toda a parte e vulcões extintos entrarão em erupção quase que simultaneamente. Será o fim da humanidade. E o fim da Terra provocará também um desequilíbrio em todo o Sistema Solar que hoje funciona em harmonia com todos os seus planetas e satélites.
- Isso mais parece um filme de catástrofe Paulo. O que a gente pode fazer?
- Nós precisamos encontrar a cópia do nosso projeto que ficou com o Dr. Barros.
- Mas por quê? Você tem uma cópia.
- Não, eu não tenho. Ele não me mandaria para a morte com algo tão valioso. Talvez nem exista uma cópia, mas apenas o original.
- Mas eu tenho trabalhado no projeto todos esses anos, eu tenho o programa completo.
- Não, você não tem não. O que você tem é apenas uma parte. O programa original foi alterado pelo Dr.Barros.Não serve nem para a finalidade que nós nos propusemos.É provável que a vacina contra a AIDS nem funcione.
- E como você sabe disso?
- Os seres intergalácticos me disseram.
- E eles também disseram o que temos que fazer?
- Sim, disseram. Temos que encontrar o programa original que estava com Dr. Barros. Com ele em mãos deveremos levá-lo até a nave que me trouxe aqui e ela a levará até a nave mãe. De lá eles irão reproduzir quantidades suficientes de um antivírus para irradiar sobre a Terra em todos os lugares onde houver material nuclear, sejam armas, ogivas, usinas ou mesmo lixo. E farão isso também com o lixo que está sendo jogado no espaço ou no fundo do mar. E aí a Terra poderá seguir seu fluxo normal de evolução.
- Me diga uma coisa: se esses seres são tão evoluídos por que eles mesmos não fazem tudo isso?
- Porque eles são de outra dimensão e embora eles possam ser vistos e ver tudo o que acontece aqui, eles não tem acesso à nossa matéria. Ela é muito densa para eles. Da mesma foram como nós não conseguimos imaginar nada da quarta dimensão, por exemplo.
- Mas se eles não conseguem manusear esse material, como vão produzir esse antivírus?
- Nós é que vamos fazer isso, e levar para eles uma pequena amostra que será multiplicada na quantidade necessária à sua finalidade dentro da nave mãe.
- Deus do céu, eu devo estar ficando louca.
- Pense que você poderá estar salvando toda a humanidade. E o que temos a fazer agora é encontrar o programa original, saber onde o Dr. Barros guardou.
- Isso vai ser quase impossível. Logo em seguida à sua morte uns homens dizendo-se policiais federais vasculharam tudo, computador, disquetes, não levaram nada. Ficaram o dia todo mexendo no computador, abrindo todos os arquivos. Alegavam que o Dr. Barros estava envolvido com corrupção política, coisas assim.
- Agora você sabe que eles não eram policiais.


***

 

O dia seguinte amanheceu ensolarado e Elisabete dirigia-se à entrada do edifício do laboratório, como fazia todas as manhãs. Só que hoje ela parecia mais apressada do que de costume e os guardas da recepção até imaginaram que ela estivesse falando sozinha.
Já em sua mesa de trabalho, ela foi ligando o computador e entrando no programa em que estava trabalhando há tanto tempo. Ao seu lado, Paulo dizia coisas ao ouvido dela para agilizar todo o processo. Ela se irritava com ele, e chamava a atenção de alguns colegas que estavam por perto. Na tela aparecia um monte de fórmulas e gráficos e eles começaram a procurar algo que nem sabiam o que era ainda. Tudo parecia normal aos olhos de Paulo e dela mesma. Mas faltava alguma coisa, mas o quê?
- Eu não entendo - disse ela - tudo parece perfeitamente igual ao que desenvolvemos.
- É muito estranho. O projeto não foi alterado! O que está errado então?
- Só se não for atrás disso que eles estão.
- Mas se for isso, estão atrás de quê?
- Não faço a menor idéia, a não ser... Não, esquece.
- Diga, qualquer coisa pode ser importante.
- Se o que eles procuram não é o que está aqui, só pode ser algo que não esteja aqui, mas algo que não serviu para nós e que desprezamos.
- Essa é a minha garota!
- Veja, fizemos diversas experiências com cobaias e para cada uma delas obtivemos resultados diferentes ou ineficazes, certo?
- Certo. Mas o que teríamos descoberto então que desprezamos sem saber seu valor?
- Eu não sei, mas teremos que procurar aqui mesmo e a melhor coisa a fazer é reviver cada uma das experiências - ela disse já se levantando da mesa.
- Hei aonde você vai?
- Temos que ir para o depósito. É lá que estão todos os arquivos antigos. Fica do outro lado do prédio.
- Talvez seja melhor eu ficar aqui - disse ele.
- Não, eu não posso fazer isso sozinha. O que deu em você?
- Você vai descobrir.


***

 

Saíram do prédio principal e começaram a atravessar o pátio em direção ao prédio do depósito. O sol já estava alto, era quase meio-dia. Elisabete perguntou a Paulo porque ele não queria vir junto com ela ele apenas disse:
- Olhe para o chão!
Ela olhou rapidamente e ficou sem entender.
- Olhe de novo, à sua direita, veja sua sombra.
Ela olhou e ficou um pouco espantada. Havia duas sombras no chão.
- Mas como é que pode ter uma sombra sua ao lado da minha se você está invisível?
- Eu não estou invisível minha querida, tanto é que você pode me ver. E o Sol também.
Ela riu, e continuaram rumo ao depósito. Ao dobrarem a esquina que levava ao portão principal, a sombra de Paulo ficou mais evidente atrás dela. Ao chegarem, o porteiro cumprimentou:
- Bom dia Dra. Elisabete, veio procurar alguma coisa?
- Sim, vim ver uns arquivos antigos, pois preciso rever algumas anotações.
- E quem está com a senhorita?
- Ninguém, estou sozinha, não está vendo?
- Desculpe, é que me pareceu ter visto a sombra de alguém junto da senhorita.
- Deve ter sido impressão sua.
E dizendo isso foi adentrando ao depósito. Após movimentar algumas caixas, encontraram a caixa que procuravam. De longe, o guarda pensava como ela conseguia levantar aquela caixa segurando apenas de um lado.
Ficaram vasculhando as pastas em busca de suas antigas anotações e nada os entusiasmava.
- Nada! Não tem nada aqui que possa nos ajudar - ela disse desanimada.
- Está tudo dentro desta caixa?
- Sim, inclusive aquela pasta com a experiência que nem foi realizada porque as cobaias morriam antes de aplicarmos a vacina.
- É isso - gritou ele entusiasmado - só pode ser isso!
- Não estou entendendo aonde você quer chegar.
- Veja Lisa, você se lembra porque aquelas cobaias morreram?
- Eu achei que foi por causa daquele cheiro horrível da mistura que fizemos.
- Pois é, e deve ter sido isso mesmo. E essa mesma mistura pode acabar com aqueles seres do mal e é disso que eles têm medo. De uma forma ou de outra, eles conseguiram o arquivo do Dr. Barros e não conseguiram descobrir nada lá. E pensam que temos essa vacina contra eles.
- Agora eu entendo porque os seres intergalácticos que me mandaram aqui disseram que eu deveria procurar nos lugares menos possíveis de encontrar. Talvez eles até soubessem onde estava. Eles não vão destruir as bases de mísseis, nem as usinas nucleares. Eles vão destruir os outros seres do mal e deixar que o homem decida seu próprio destino. É isso. Ajudar sem interferir.
- E como vamos produzir tanto soro, ou seja lá que nome vamos dar a isso?
- Nós não precisamos de muito. Só uma pequena amostra e eles irão reproduzir dentro da nave mãe e fazer com que chegue a todas as usinas e base militares do planeta para os outros ajudantes, terráqueos como nós.
Pegaram as anotações e saíram do depósito. E Elisabete pediu ao porteiro:
- Estou com muita pressa, o senhor pode guardar a caixa para mim, por favor?
- Claro que sim - respondeu ele - É pra já.
Enquanto Paulo e Lisa dirigiam-se para o laboratório, o vigia tentava levantar a caixa como vira Elisabete fazer e não conseguia, acabando por derrubá-la e espalhar um monte de pastas pelo chão.
Enquanto duas sombras corriam pelo pátio, as pessoas começavam a deixar o prédio e dirigiam-se ao refeitório. Era meio-dia e tinha começado o horário do almoço. Eles não tinham como se esconder ali, pois estavam bem no meio do pátio. Lisa abraçava a pasta junto do corpo e andava apressadamente, mal olhando para as pessoas.
Subiram correndo as escadas e dirigiram-se ao laboratório e deram início ao trabalho.
Concluída a mistura, testaram em uma cobaia e antes de fazerem a aplicação ela morreu. Lisa não entendia porque isso acontecia e Paulo tentou explicar dizendo que a mistura criava um novo elemento químico inexistente naqueles planetas e, da mesma forma que nós morremos com o ar contaminado, aqueles seres também não suportavam aquela mistura.
Era o final do dia quando terminaram de produzir a vacina e com muito cuidado acondicionaram em um vidro bem protegido.
- Vem comigo - disse ele pegando-a pelo braço.
- Eu, eu senti o seu toque.
- É porque nosso tempo está acabando, precisamos correr.
Dirigiram-se ao estacionamento e Lisa arrancou em velocidade, ao mesmo tempo em que perguntava:
- Para onde nós vamos?
- Siga para os lados da Imigrantes.


***


- Mas o que significa isso de que nosso tempo está acabando e por isso eu pude sentir seu toque?
- Significa que se não formos depressa, você terá que fazer todo o resto sozinha.
- Fazer o que Paulo?
- Encontrar a nave que me trouxe.
- E onde vou encontrá-la? Na Praia?
- Exatamente.
- Você é um maluco. - e acelerou mais seu carro já na Rodovia dos Imigrantes.
A noite já tinha caído e os olhos de Elisabete começavam a querer fechar de tanto sono. Ela não dormira nada a noite passada, pois ficaram conversando a noite toda. E agora, o sono a pegava um tanto desprevenida e ela foi deixando ele se apoderar dela e, por um instante, ela adormeceu ao volante.
Quem já passou por esta rodovia, sabe que existem longas retas nela.
Tão logo Lisa adormeceu ela sonhou. E no sonho ela se viu caminhando na praia abraçada a Paulo, como costumavam fazer cinco anos atrás. Eles gostavam de andar à noite pela praia. Havia um vento frio e ela se aconchegava nos braços de Paulo. Este a envolvia com firmeza e com carinho e, num instante, eles estavam se beijando. Foi um beijo longo, daqueles que a faziam perder o fôlego e ela correspondia aquele beijo com certa dose de volúpia. Este sonho durou menos de dois segundos e ela acordou com a voz de Paulo:
- Cuidado Lisa, você pegou no sono!
Ela despertou meio assustada e por instantes perdeu a direção fazendo com que o carro se desviasse na pista.
- Meu Deus - ela disse - nós poderíamos ter morrido.
- Não, você poderia ter morrido ou causado um acidente - ele respondeu sorrindo. E acrescentou:
- Foi um sonho bom?
- Foi sim, acho que foi.
- Então isso quer dizer que você sentiu meu beijo.
- Mas que porra é essa Paulo? Você agora entra nos sonhos das pessoas?
- Um dia eu ainda descubro como fui gostar tanto de beijar essa boca suja.
- Você vai ter é que me explicar como fez isso, isso sim - ela disse ruborizada.
Seguiram mais um pouco em silêncio e ela agora parecia bem desperta. Quase no final da descida da serra, ele perguntou:
- Você reconheceu a praia?
- Não tenho certeza, mas me pareceu ser algum lugar da Praia Grande.
- É lá mesmo que nós vamos, não esqueça de pegar a saída correta.
- Sim senhor - ela agora respondeu sorrindo e olhando para ele.
Ele estava sentado no banco ao lado e parecia impassível.
- Paulo, o que está havendo? Você me parece diferente agora.
- Não é nada não, pé na estrada, o desvio está logo aí adiante.
Um minuto depois ela pegou o desvio para a Praia Grande. Elisabete dirigia com cuidado agora e pelo seu vidro esquerdo ela podia ver as luzes das casas litorâneas. Logo em seguida tudo ficou escuro e ela passou a prestar mais atenção na estrada, até ouvir a voz de Paulo:
- Tem uma entrada logo à frente e à esquerda, você vai entrar nela e seguir em direção à praia. Estamos chegando.
Ela tornou a olhar para ele e achou-o estranho de novo. Com a mão direita tentou tocar em seu braço, mas ele retirou e pediu que ela prestasse atenção no caminho.
Estava tudo muito escuro naquilo que parecia ser uma daquelas tantas vilas praianas. As casas todas com luzes apagadas e não parecia ter ninguém pelas ruas. Finalmente eles chegaram à praia e ela parou o carro. Ela virou-se para Paulo que ainda olhava para frente e perguntou:
- Chegamos, o que eu faço agora?
- Esperamos.
- Você está estranho, me diz o que está acontecendo, por favor! - ela implorou.
- Não é nada, não se preocupe. É apenas o meu tempo que está se acabando. Nós nos atrasamos um pouco.
- Você acha que eles foram embora?
- Eles voltarão. Já sabem que estamos aqui.
Ela ia abrindo a porta do carro para sair e ele disse secamente:
- Fique dentro do carro. Não saia!
- Merda! - E ficou tamborilando os dedos no volante, até que parou estupefata. Ela queria falar algo, chegou a olhar para Paulo e ele estava todo iluminado com aquela luz intensa que vinha de cima parecendo cobrir seu carro. Ela estava de boca aberta, mas não conseguia emitir nenhum som. Nunca, em toda sua vida, ela tinha visto algo tão maravilhoso! Era uma luz tão intensa, mas que não ofuscava seus olhos. Ela sentiu que a luz cobria todo seu carro e pareceu que este levitava no ar. Ela apertou o volante, quase se agarrando nele e então ela viu. Ela viu que já estavam a centena de metros de altura e continuavam subindo. Ela sentiu que o carro entrou em um compartimento e antes que pudesse falar ou fazer qualquer coisa, a nave se deslocou numa velocidade espantosa, mas para ela, dentro da nave, é como se estivessem parados. Ela percebeu que vultos se aproximavam, dois de cada lado do carro, e ajudaram-nos a sair de dentro dele. Paulo parecia um pouco enfraquecido e necessitava do apoio dos dois seres. Ela estava elétrica e mesmo apoiada nos braços daqueles seres, estava achando tudo aquilo uma loucura. Uma loucura maravilhosa. Eles foram conduzidos a uma sala que parecia ser toda feita de vidro. E o que ela viu deixou-a pasma. Ela viu a Terra, todo o planeta Terra estava lá embaixo. Depois disso, ela desmaiou e foi amparada pelos seres que a circundavam.
*
- Conseguiram o material? - perguntou um dos seres.
- Sim - respondeu Paulo - está com ela. Dentro da bolsa, em seu carro.
O ser largou então do braço de Paulo e voltou para o compartimento onde se encontrava o carro de Lisa.
Paulo tinha recebido mais energia e já se encontrava restabelecido e, levado à cabina de comando iniciou seu relato e que o problema não estava na vacina, ela iria funcionar como ele imaginava desde o início. O que os seres das forças malignas temiam era um dos compostos da vacina que foi retirado da fórmula original, pois matava as cobaias antes dos testes. Elas morriam apenas cheirando a solução. E era essa solução que pode acabar com os seres do mal.
- Nós sabíamos disso também Paulo - disse o ser que parecia ser o comandante da nave. Mas não podíamos interferir diretamente. A salvação de seu planeta tem que ser feita por um terráqueo. E você conseguiu! Quem é a moça que você trouxe?
- O nome dela é Elisabete. É uma cientista de talento; trabalhávamos juntos na vacina e éramos noivos quando sofri aquele acidente.
- Hum, interessante! Noivos, muito interessante.


***


Elisabete despertou, sentindo-se ainda um pouco atordoada. Uma voz ao seu lado perguntou-lhe:
- Você se refez do espanto?
- Sim - ela disse olhando para aquela figura bonita de mulher.
Então vamos nos dirigir para o salão principal. Já devemos estar chegando ao nosso destino.
- E qual é o nosso destino?
- Você verá, estamos nos aproximando.
Chegando ao salão onde estivera antes, ela quase desmaia de novo, levou suas mãos à boca que tinha se aberto novamente pelo espanto. Ela estava dentro de uma nave que parecia ser muito grande, mas o que ela via pelas grandes escotilhas ela não podia imaginar. Era uma nave enorme, muito maior do que aquela em que ela estava.
Em poucos segundos, de nosso tempo, a nave entrou na nave mãe. Parecia um aeromodelo entrando dentro do maior avião do mundo.
Quando a nave parou, dois mensageiros da nave mãe vieram ao encontro deles. O ser que estava com a bolsa dela em mãos, disse que o produto estava lá dentro, mas que ele tinha receio de mexer lá, pois não sabia como ela conseguia guardar tanta coisa lá dentro e não podia saber o que era que estava procurando.
Todos os olhares se voltaram para ela que, sem jeito, desabotoou a blusa que usava e com dois dedos tirou um pequeno frasco de seu sutiã e entregou ao ser que parecia ser o chefe do grupo.
- Noivos, interessante!
O chefe do grupo dirigiu-se então a Paulo e estendeu-lhe a mão direita dizendo:
- É assim que vocês se cumprimentam na Terra não é? Dando-se as mãos?
- É sim - respondeu Paulo, também esticando seu braço direito.
- Vocês realizaram um bom trabalho e tenham sempre em mente que a solução de todos os problemas sempre está dentro do próprio problema. É o bastante você sair de dentro dele e olhá-lo do lado de fora, como fizeram lá naquele laboratório.
Lisa tinha se aproximado de Paulo que a abraçou e ela pode sentir o calor daquele abraço. Paulo estranhou e o comandante da nave falou: - quando apertamos nossas mãos eu lhe restituí seu corpo físico. Eles não perceberam, mas já estavam de volta à Terra e foram conduzidos de volta a seu carro e antes de entrarem dele o comandante falou:
- Nós ainda nos veremos muitas vezes nesta ou em outra dimensão que não a de vocês. Vocês já salvaram seu planeta e não têm mais nada que fazer por lá.
Que as forças do bem estejam sempre de seu lado e vocês gerem outros seres, que possam mudar o planeta de vocês. Vão em paz!
Dizendo isso as portas do carro foram fechadas e aquele facho de luz foi baixando o carro até o chão. Desta vez Lisa não quis perceber a sensação da descida, envolvida que estava pelos braços e pelos beijos de Paulo.


***


No outro dia, os jornais do mundo inteiro noticiavam a morte de diversos líderes de países dos mais diversos e de muitos militares e empresários. Aparentemente todos haviam sofrido um infarto.
 


FIM


Ivan Jubert Guimarães

 

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