Ivan Jubert Guimarães
21/11/2006
 


Era muito difícil não reparar na beleza daquela mulher. Na rua não havia quem olhasse para ela sem deixar estampado no rosto as marcas do desejo.
Ela passava por todos, sorria para o além como dizendo a si mesma: “como sou bela, todos me desejam”.
Eu também a achei muito linda, mas macaco velho, não dei muita bola para ela não, não daria a ela o gostinho de me esnobar como vinha fazendo com todos. Convenhamos, carrego uma barriga, já sou coroa, mas não sou de jogar fora e muito menos ser esnobado por um monte de silicone. Mas a danada era bonita e dei mais uma olhada e assim que ela me viu olhando eu desviei rapidamente meus olhos e olhei para uma outra mulher que passava pela rua. Acompanhei aquele rebolado até com certo interesse e não percebi que aquele monumento de mulher se aproximava de mim. Ela parou do lado e ficou esperando algo, como se fosse atravessar a rua, mas ali era um calçadão e não havia tráfego. Alguns sujeitos que passavam olhavam direto para todas as partes do corpo daquela mulher. Alguns olhavam para mim também, não sei de inveja ou para me chamar de babaca. O perfume que ela usava já estava me inebriando e eu já estava começando a dar o braço a torcer, afinal de contas minha masculinidade estava em jogo. Eu não sabia, mas numa banca de jornais atrás de mim, já estava havendo uma aposta se eu ia ou não ia atacar a mulher.
Só para você ter uma idéia, ela era uma morena estonteante, cabelos compridos à altura dos ombros que lembram os cabelos de Rita Haywort em Gilda, embora Rita fosse ruiva. Os olhos dela eram esverdeados e dependendo da forma que ela olhava, eles mudavam de cor. Cílios maravilhosamente penteados, assim como um par de sobrancelhas como nunca eu vira então.
O vestido era vermelho, mas não um vermelho bombeiros, era algo entre o vinho e o sangue. E o decote deixava entrever um par de seios maravilhosamente empinados. O vestido ia até a altura dos joelhos e deixava a imaginação adivinhar como seriam aquele par de coxas. As pernas, bem torneadas eram longas e estavam apoiadas num belo par de sapatos de salto, daqueles que dão o toque final de elegância quando a mulher anda pela calçada fazendo-se acompanhar daquele toc-toc-toc.
Na banca de jornais já havia uma pequena multidão, alguns me incentivando e outros me vaiando. Eu mantendo a minha postura de não permitir que aquele monumento me esnobasse, então usei a arma que as mulheres usam, Fingi pegar qualquer coisa no bolso e deixei as chaves caírem e ela mais do que depressa se abaixou, pegou as chaves e esticou seu braço de Vênus (quando Vênus tinha braços) me dando as chaves. O problema é que eu não enxergava as chaves, pois a visão daquelas pernas quando ela se abaixou cegou meus olhos.
Da banca vinham alguns gritos: “agora vai” e eu surdo àquelas manifestações virei-me para a morena, peguei em sua mão macia, com unhas pintadas de vermelho e fiquei segurando as chaves na mão dela.
Aí ouvi uma voz meio rouca, mas não era rouca, era forte me perguntar:
- O que estas chaves abrem?
A pergunta me pegou desprevenido, mas ela não ia me vencer:
- Abrem o que você quiser, o carro, o apartamento, o escritório, é só escolher. Antes que ela escolhesse, eu ofereci a ela o meu braço e tomei o caminho do estacionamento, pois qualquer que fosse a escolha dela eu iria precisar do carro.
Abri a porta do passageiro e a fiz entrar no carro. Dei a volta e antes de eu chegar ao outro lado começou um fina garoa. Entrei no carro, me acomodei, dei a partida e coloquei um CD de música romântica. Tudo bem que era música romântica de meu tempo, mas ela pareceu curtir. Sugeri irmos a um barzinho aconchegante para tomarmos um drinque e quebrar um pouco o gelo porque ambos estávamos um pouco calados para aquela situação que requeria um pouco mais de entusiasmo, de ambas as partes.
Conheço um pequeno bar alemão onde o serviço é feito pelo dono e pela esposa, uma delícia de lugar, bem pequeno e muito aconchegante. A situação não pedia o chopp da casa (ótimo por sinal), nem algo que fosse forte demais ao paladar. Optamos, então, por um vinho branco de ótima procedência e para lambiscar, apenas umas torradas com queijo cremoso.
Conversa vai, conversa vem e após esvaziarmos a segunda garrafa de vinho, o monumento já estava meio grogue. Era hora de partir para o finalmente, antes que ela dormisse. E eu lembrava a todo o instante que no dia seguinte teria que dizer àquela turma da banca o que tinha acontecido.
Entramos no carro e fiz com que ela se chegasse um pouco mais perto do meu banco, assim poderia sentir o contato de suas pernas e na hora de mudar de marcha sempre sobraria um tempinho para uma passadinha de mão em seu joelho.
Olhei para ela e pedi que encostasse sua cabeça em meu ombro e nessa hora eu percebi que seu cabelo já não estava como antes, devia ser efeito da garoa. Dirigi-me a um motel ali na região do Brooklin, lugar nada sofisticado, porém agradável. Para impressionar, pedi a melhor suíte e nos dirigimos para lá. Apesar do cabelo dela estar um pouco armado, ela ainda era um monumento de mulher. Deixei a suíte à meia luz e pelo interfone chamei uma champanha e umas castanhas de caju, que não demoraram a chegar.
A cama era confortável e tratei logo de colocar um som, mas ela preferiu ver um filme pornô. Nunca me senti bem com esses filmes, muito pelo contrário, fico com um complexo danado de ver os tamanhos dos troços dos caras. Fico imaginado a força mental que eles devem fazer para manter aquilo de pé. Mas tudo bem, esses filmes a gente nunca vê mesmo até o final. E enquanto o filme rolava fomos nos achegando pertinho um do outro. Ela já estava nua sob as cobertas e eu, por causa do filme, conservava a cueca. Tinha jurado que só tiraria depois que a TV estivesse desligada. Ela nua, era um avião, um quebra-cabeças montado certinho, tudo no lugar.
Fui bem para perto dela e comecei a beijar seu rosto, acariciar seu corpo e ela ia soltando gemidos cada vez mais fortes até que cheguei à conclusão que poderia desligar a TV. Foi o que fiz. Liguei um som baixinho, música moderninha e parti para o amasso. Gosto de beijar os olhos de uma mulher e foi por aí que comecei e logo senti algo estranho em minha boca, eram os cílios do olho esquerdo dela. Dei uma disfarçada e cuspi o cílio para longe e ataquei o olho direito, beijando e dando leves chupadinhas em sua pálpebra. Ela me abraçava loucamente, me arranhava as costas com aquelas unhas até um momento em que senti uma dor forte nas costas, Uma das unhas descolou de sua mão e ficou cravada em minhas costas, num lugar onde eu não alcançava de jeito nenhum. Resolvi deixar lá mesmo torcendo para que ela mesma tirasse aquele pequeno artefato de mim. Quando olhei para a pálpebra dela, ela tinha se fechado, cobrindo todo seu olho. Aquilo devia incomodar, mas acho que ela já estava grogue demais para perceber.
Tinha chegado a hora de eu beijar aquela boca de pecado, aqueles lábios grossos como os de Angelina Jolie. Sempre gostei de beijar os lábios superiores de uma mulher e foi por aí que comecei, suavemente e logo depois ardentemente. Mas os lábios inferiores dela eram coisa de louco e, em poucos instantes, eu já estava me desfrutando deles, beijando-os, chupando-os com volúpia. Quando parei para respirar um pouco, eu vi que o lábio inferior dela tinha caído, tava parecendo lábio de índio, Pensei comigo, vou embora daqui, essa mulher está desmanchando, mas ela me agarrava e não me deixava sair da cama. Gemia como louca, gritava, pedia, jogou longe os lençóis e me ofereceu os seios.
Baixei a cabeça e concentrei toda minha visão naquelas maravilhas de peitos. Beijei seu seio esquerdo e puxei com os lábios o seu mamilo. Ela delirava e eu ficava puxando e soltando aquele mamilo, até uma hora em que ele caiu para o lado. Com tanta coisa estranha acontecendo, já nem liguei pra aquilo. Apertei aquele peito e senti o volume macio daquelas carnes me desejando e eu apertava aquele peito cada vez mais até sentir algo se mexer lá dentro. Tirei as mãos e fui vendo algo se movimentando lentamente para o lado. Acho que era o silicone que se soltou e o interessante é que o mamilo torto ficou bem certinho agora, só que no silicone. O peito normal tava sem biquinho.
Eu já estava bem preocupado com aquela situação e num impulso levantei-me da cama e ela falou manhosamente: “meu amor, você ainda de cuecas?”
Eu queria morrer, correr dali de cuecas mesmo e sumir daquele motel, mas tinha que pegar meus documentos na portaria, e os dela também. Ela se levantou e me puxou de novo para a cama. Mesmo ela se desmanchando a metade que sobrara ainda era um mulherão, e ela me queria. Deitei-me nu ao seu lado, mas precisava de um estímulo. Sexo oral nem pensar, pois de repente poderia ficar com uma dentadura presa em mim. Ataquei seu outro seio, dando beijinhos bem levinhos, não queria mais nenhuma surpresa. Foi quando me lembrei das pernas maravilhosas que ela tinha e que sugeriam uma bundinha deliciosa.
Virei-a de bruços, fui para trás dela e comecei a alisar suas costas, massageando sua espinha dorsal, arrancando dela gemidos indescritíveis. Passei suavemente as mãos por suas nádegas e desci pára as coxas e apertei-as. Ela gemeu:”assim”. E eu continuei acariciando aquelas coxas mas à medida que eu apertava ia percebendo que elas estavam se afinando. Deixei as coxas de lado e voltei para aquela bundinha e fiquei alisando-a, passando a mão no reguinho e voltando-me para a bundinha apertei-a com volúpia. Desmanchou tudo. Mas pelo menos as coxas voltaram a ficar como antes.
Disse que precisávamos ir embora e disse-lhe que a levaria para casa. Fiz com que se vestisse e quinze minutos depois eu a deixava em frente ao endereço que me dera, o de uma clínica de cirurgia plástica experimental.

 


Ivan Jubert Guimarães


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